Investigação originada no Coaf aponta suposto esquema que teria abastecido empresas da família do governador com dinheiro público desviado
A Polícia Federal solicitou à Justiça, em duas ocasiões e sem sucesso, o afastamento do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), além de mandados de busca e apreensão contra o político, dois irmãos dele e sua filha. Os pedidos integram um inquérito que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos no estado, conforme apurou a Folha de S.Paulo .
A investigação foi originada de um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre operações financeiras atípicas, principalmente na cidade de Colinas, reduto político dos Brandão. Aberta em 2024, a apuração foi solicitada à PF pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e autorizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), uma vez que constam entre os investigados o governador e seu sobrinho Daniel Brandão, então presidente do TCE-MA (Tribunal de Contas do Estado) .
De acordo com a PF, que atuou em conjunto com a CGU (Controladoria-Geral da União), empresas do grupo de Brandão foram abastecidas com recursos públicos desviados da Prefeitura de Colinas e do Governo do Maranhão. O suposto esquema, segundo os investigadores, envolveria crimes tributários, lavagem de dinheiro, licitações dirigidas, corrupção passiva e organização criminosa .
A defesa do governador afirmou que não se manifestaria porque “não teve acesso aos supostos relatórios e elementos de informação mencionados, que seguem em segredo de Justiça”. A defesa também declarou rechaçar qualquer tentativa de atribuir a Brandão a prática de crimes .
Em manifestação anterior, o governador negou envolvimento em organização criminosa e classificou as suspeitas como “factóide de época de eleição”. “Eu não tenho nenhum envolvimento com crime, com corrupção, isso não existe”, afirmou Brandão em agosto .
O inquérito estava inicialmente sob os cuidados do ministro Humberto Martins, do STJ, que não se manifestou sobre o pedido de afastamento. O caso foi posteriormente transferido para o STF junto com outras investigações relacionadas a autoridades maranhenses, após suspeitas de que o senador Weverton Rocha (PDT) atuava para interferir nas apurações. O ministro Flávio Dino, ex-governador do Maranhão e atual ministro do STF, passou a ser o relator dos inquéritos , veja aqui a reportagem AQUI
