A investigação sobre o suposto esquema de obstrução de justiça e perseguição ao ministro Flávio Dino, no Maranhão, revelou um elemento ainda mais grave: Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo Carlos Brandão, é acusado pela Polícia Federal de ter usado suas credenciais de agente público para acessar sistemas de inteligência restritos e obter dados sigilosos sobre o ministro . Segundo a PF, Cutrim teria se prevalecido de sua condição de agente público para acessar informações protegidas, incluindo placas reservadas, fotos, vídeos e dados sobre veículos usados por Dino e seus familiares, que depois foram repassados ao jornalista investigado .
A apuração aponta que o material, obtido em sistemas que exigem credenciais de acesso, foi utilizado na produção de reportagens que questionavam o suposto uso irregular de carros oficiais por Dino. A PF concluiu que Cutrim, que já ocupou a Secretaria de Segurança Pública do estado, teria enviado as imagens e informações coletadas por meio de câmeras veiculares ao blogueiro Luís Pablo . O uso da estrutura de inteligência do estado para monitorar um ministro do Supremo Tribunal Federal agrava o quadro de suspeitas sobre os objetivos do grupo.
Além do acesso ilegal a dados, as investigações revelaram um fluxo financeiro suspeito. A PF encontrou um pagamento de R$ 100 mil feito ao jornalista por um advogado, Diogo Diniz Lima, que também é apontado como informante. O dinheiro teria saído de uma conta de um parente de Raimundo Cutrim, e a suspeita é de que os valores estivessem relacionados à produção de matérias com direcionamento político contra Dino .
O caso, que tramita sob relatoria de Alexandre de Moraes, envolve ainda a apreensão de 26 armas em endereços ligados a Cutrim durante buscas autorizadas anteriormente por Flávio Dino . A defesa de Cutrim afirmou ver a decisão com “estranheza e preocupação”, enquanto entidades de imprensa manifestaram preocupação com a quebra do sigilo da fonte, apontando riscos à liberdade de expressão e ao trabalho jornalístico .
