Luchsinger teve “comissão” de R$ 6 milhões ao mediar verbas para o Maranhão
Uma reportagem explosiva publicada pelo portal Metrópoles neste sábado revelou o que pode ser o elo mais comprometedor entre o escândalo do Banco Master e o governo do Maranhão. Mensagens extraídas do celular da lobista Roberta Luchsinger, personagem central das investigações sobre tráfico de influência no governo federal, mostram contatos diretos com o governador Carlos Brandão (MDB) para destravar verbas federais no Ministério da Saúde e na Casa Civil. Em troca, segundo documentos obtidos pela Polícia Federal, Luchsinger teria recebido pelo menos R$ 5,9 milhões em pagamentos, incluindo repasses da construtora EDP Infraestrutura, do empresário Eduardo DP, investigado por fraudes bilionárias no INSS.
As conversas reveladas são de uma crueza que dispensa intermediários. Em 5 de junho de 2024, Luchsinger escreveu diretamente a Brandão: “Bom dia, governador! Marcola acaba de avisar que foi liberada a obra para a Av. Litorânea”. O “Marcola” mencionado é Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe de gabinete do presidente Lula, demitido meses depois após a coluna revelar que Luchsinger pagava suas contas pessoais. Brandão respondeu no mesmo tom: “Opa! Notícia boa”. A obra mencionada é o prolongamento da Avenida Litorânea, em São Luís, orçada em R$ 235 milhões e financiada pelo Novo PAC, e que já foi alvo de auditoria do TCU por indícios de superfaturamento.
A reportagem também revela que Luchsinger acertava os pagamentos de suas “comissões” com Pablo Pereira Munhoz, que se apresenta como assessor de Brandão e aparece em agendas oficiais ao lado do governador. Em 30 de outubro de 2024, a EDP Infraestrutura, construtora de Eduardo DP, fez cinco pagamentos à RL Consultoria, empresa de Luchsinger, somando R$ 2,2 milhões. Os comprovantes foram enviados por Pablo à lobista naquele mesmo dia. “Daí agora a gente alinha para organizar tudo certinho”, respondeu ela. Em seguida, Pablo passou a enviar fotos de depósitos em espécie, incluindo um de R$ 650 mil, veja alguns “prints”de conversas revelados pelo portal Metrópoles :

O nome de Eduardo DP não é novidade para as autoridades. Em 2025, a Polícia Federal o descreveu em relatório como parceiro do ex-ministro das Comunicações, deputado Juscelino Filho (PSDB-MA), no desvio de verbas federais. Sua empresa Construservice recebeu mais de R$ 1 bilhão do governo do Maranhão entre 2020 e 2025, período que abrange tanto a gestão de Flávio Dino quanto a de Carlos Brandão. A EDP Infraestrutura, por sua vez, recebeu cerca de R$ 90 milhões do governo maranhense entre 2023 e 2025. Os repasses à consultoria de Luchsinger, portanto, não vêm de fontes desinteressadas: vêm de empresas que lucram diretamente com contratos estaduais.
As mensagens também expõem o papel de Luchsinger na articulação de verbas do SUS para o Maranhão. Em 7 de novembro de 2024, Pablo Munhoz enviou à lobista documentos sobre um repasse de R$ 115,3 milhões para procedimentos de média e alta complexidade no estado. “Boa tarde, minha amiga. Segue a prioridade na Saúde”, escreveu ele. Luchsinger encaminhou os documentos imediatamente a Marcola, com um comentário revelador: “Ontem ficou faltando esse RSS. Maranhão rsrs”. A naturalidade com que o repasse é tratado, como uma encomenda a ser despachada, é o retrato de um sistema onde verbas públicas circulam em canais privados.
No Ministério da Saúde, Luchsinger cultivava relações que iam além da intermediação burocrática. Mensagens reveladas pelo O Globo mostram que ela presenteou Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta, com um relógio Cartier de R$ 66 mil e um quadro de R$ 82,9 mil. Barbosa nega categoricamente ter recebido os presentes, mas as mensagens são explícitas: “Chic o relógio né”, escreveu Luchsinger a um amigo. O mesmo Barbosa aparece agradecendo à lobista por uma festa de aniversário em um camarote no Estádio Mané Garrincha. Não é o tipo de relação que se estabelece entre uma consultora e um burocrata qualquer, veja aqui a reportagem do portal Metrópoles Aqui


