Contratos de shows têm pagamento irregular e desvios milionários, enquanto cultura fica sem verba
Enquanto artistas e produtores culturais reclamam do não pagamento por serviços prestados à Prefeitura de São Luís, uma denúncia revela que o governo Eduardo Braide (PSD) liberou milhões em contratos de shows com indícios de superfaturamento, irregularidades e até conluio entre empresas. Documentos obtidos pela Associação dos Auditores de Controle Interno do Município (AACIM) mostram que, mesmo sem orçamento suficiente, a gestão insistiu em contratar atrações caras para eventos como o Réveillon e o Carnaval, deixando outros setores da cultura sem recursos.
Pagamentos milionários, mas cultura abandonada
A denúncia, encaminhada ao Ministério Público do Maranhão (MPMA), aponta que a Prefeitura, sob o comando de Braide, usou dotação orçamentária de 2024 para pagar despesas de 2025, violando o princípio da anualidade e configurando crime contra as finanças públicas (art. 359‑D do Código Penal). Enquanto isso, artistas locais e projetos culturais seguem sem receber, com a justificativa de “falta de verba”.
Entre os contratos questionados estão:
— R$ 480 mil para Michelle Andrade (220% acima do preço de mercado);
— R$ 550 mil para Turma do Pagode (134% mais caro que o referencial);
— R$ 550 mil para Pedro Sampaio (51% acima da mediana).
Controladoria vira “fachada” para irregularidades
O Controlador-Geral do Município, Sérgio Motta, homologou os pagamentos sem competência legal, ignorando relatórios técnicos que apontavam irregularidades. A AACIM revela que os processos foram liberados em horários incomuns, como madrugadas e fins de semana, e até durante as férias do próprio Controlador.
A Procuradoria-Geral do Município (PGM), sob o comando de Valdélia Campos, emitiu pareceres questionáveis para justificar os pagamentos, ignorando indícios de conluio entre empresas e sobrepreço.
Braide sabia e omitiu-se
O prefeito Eduardo Braide foi alertado sobre as irregularidades, mas não agiu. Pior: exonerou o Controlador Adjunto, servidor de carreira, deixando o órgão nas mãos de um comissionado alinhado politicamente. A denúncia cita ainda que Braide divulgou as atrações do Réveillon em suas redes sociais, provando que tinha conhecimento dos contratos.
O que a AACIM pede ao MP:
1‑Suspensão imediata dos pagamentos irregulares;
2‑Investigação por improbidade administrativa contra Braide, Sérgio Motta e Valdélia Campos;
3‑Anulação dos contratos superfaturados;
4- Responsabilização criminal pelos crimes contra as finanças públicas.
A Prefeitura de São Luís não se manifestou até o fechamento desta matéria. Enquanto isso, a população paga a conta de uma gestão que prioriza shows milionários em vez de cultura popular e serviços básicos.
LEIA A ÍNTEGRA DA DENÚNCIA: