Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) revelam que a lobista Roberta Luchsinger atuou ativamente junto ao governo do Maranhão para viabilizar contratos milionários na Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela gestão do Porto do Itaqui. Na época, a Emap era presidida por Gilberto Lins Neto, casado com uma sobrinha do governador Carlos Brandão.
A PF encontrou no celular da lobista que mantinha diálogos sobre negócios com o governador , mensagens com detalhes das tratativas para a contratação da empresa de tecnologia 3Structure, do empresário Cléber Ribas.
Nas mensagens, ela relata que o “presidente do Porto do Itaqui” havia elogiado a proposta e dado sinal verde para o avanço dos trâmites: “vamos tocar”. Em seguida, Roberta afirma ao parceiro de negócios que Gilberto Lins havia feito contato direto com ela e sinalizado a anuência do Executivo estadual: “o gov autorizou tb”. Ou seja, o governador Carlos Brandão deu anuência às negociações com a lobista do esquema do INSS.
Segundo a PF, a referência ao comando do porto tratava-se de Gilberto Lins Neto, então presidente da Emap. Casado com uma sobrinha de Carlos Brandão, Lins Neto foi formalmente afastado do cargo em outubro de 2024, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de ações judiciais que apuram a prática de nepotismo em nomeações da cúpula do governo estadual.
A intermediação resultou no fechamento de contratos que somam R$ 5,8 milhões entre a 3Structure e a administração estadual ao longo de 2024. O montante envolve negócios firmados tanto com a administração portuária (Emap) quanto com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
Para os investigadores, o conteúdo das mensagens comprova a influência e o canal direto de Roberta Luchsinger junto a autoridades do alto escalão do Palácio dos Leões e dirigentes de empresas públicas, expondo o trânsito da lobista na definição e liberação de despesas do Estado.
