A empresa AGLAS, alvo de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), criou às pressas um perfil em rede social nesta quinta-feira (20), exatamente às 17h. O movimento repentino chama atenção pelo timing: a criação do perfil ocorre em meio às apurações sobre a obra de R$ 235 milhões conduzida pelo Governo do Maranhão. A iniciativa soa como uma tentativa de demonstrar existência e regularidade empresarial diante do cerco dos órgãos de controle.
O que reforça a desconfiança é que, logo após a criação, a empresa passou a seguir apenas três perfis: a Secretaria de Estado da Infraestrutura do Maranhão, responsável pela obra questionada; o Governo do Maranhão; e a própria dona da empresa, apontada nas investigações como responsável por uma estrutura considerada “fantasma”. A movimentação digital, aparentemente coordenada, levanta dúvidas sobre a real atividade operacional da companhia.

Coincidência ou estratégia ensaiada? O fato é que a criação repentina da rede social amplia a série de questionamentos já existentes sobre a obra milionária. Enquanto o TCU aprofunda as análises e fala em possíveis irregularidades graves, cresce a percepção de que há uma corrida contra o tempo para sustentar a narrativa de que a empresa existe de fato. Nos bastidores, a impressão é de que mais parece ter sido contratada uma empresa de marketing e publicidade para construir uma vitrine digital apressada, com o objetivo de reforçar a tese de que a AGLAS tem atividade regular ‚mas os indícios continuam alimentando a suspeita de que algo está longe de ser transparente.
