Aviso aos navegantes: o silêncio acabou.
Depois da pedagogia do constrangimento público, da crise explícita de nepotismo, de favorecimentos reiterados e do simbolismo macabro de cadáveres dentro do campus, a UFMA entra oficialmente em férias. Serão cerca de 30 dias de aparente trégua institucional tempo suficiente para esfriar manchetes, reorganizar narrativas e apostar, mais uma vez, na velha amnésia coletiva.
Mas ninguém deve se iludir.
A calmaria é apenas tática.
Em abril, começa o processo eleitoral para a Reitoria, com as prévias para diretores e diretoras de centros e unidades acadêmicas. E, com ele, retorna o velho teatro universitário: discursos inflamados sobre ética, súbitos defensores da universidade pública, indignações seletivas e projetos genéricos cuidadosamente ensaiados para maquiar práticas antigas.
Desta vez, porém, o roteiro muda.
Durante o processo eleitoral, este blog vai expor o que historicamente foi tratado como tabu: favorecimentos sistemáticos, listas de bolsistas montadas por critérios distantes da transparência, articulações envolvendo estruturas do DCE, indícios de nepotismo institucionalizado , inclusive no hospital universitário e relações promíscuas entre poder administrativo, político e acadêmico.
Não se trata de fofoca.
Não se trata de ataque pessoal.
Trata-se de fatos, documentos, vínculos e responsabilidades.
A universidade pública não pode continuar refém de acordos de bastidor, da cultura do silêncio e da lógica de que “sempre foi assim”. Quem ocupa ou pretende ocupar cargos de direção precisa responder não apenas por discursos, mas por trajetórias, decisões e redes de influência.
Portanto, fica o aviso: se você é candidato ou candidata e tem telhado de vidro, prepare-se. O processo eleitoral não será blindado por retórica institucional nem por notas oficiais cuidadosamente redigidas.
A eleição começou antes do calendário formal.
E, desta vez, o poder não disputará apenas votos disputará narrativas confrontadas por evidências.
A tempestade não está chegando.
Ela já começou.
