Em reunião na noite de ontem (24), o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), encontrou-se com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para tratar do cenário sucessório no estado. O encontro, realizado em Brasília, escancarou a crise na base aliada: o PT confirmou o veto à candidatura de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador, ao Executivo estadual em 2026. Apesar da tentativa de costura política, o petista ouviu do governador maranhense que não haverá substituição do nome de Orleans e que Brandão pretende cumprir integralmente seu mandato até dezembro de 2026, inviabilizando qualquer plano de renúncia para viabilizar o herdeiro político.
Durante a conversa, Edinho Silva teria manifestado o desejo do presidente Lula de que o próprio Carlos Brandão se candidate ao Senado, abrindo caminho para uma composição que agradasse tanto ao PT quanto ao MDB. A resposta do governador, no entanto, foi taxativa: não aceitará a proposta e manterá o foco em eleger o sobrinho como seu sucessor. A recusa expõe o racha na federação partidária e coloca em xeque a unidade da base governista no Maranhão, estado estratégico para o governo federal.
Ao final, Edinho propôs um novo diálogo, mas Brandão deixou claro a assessores que só espera uma reunião com o presidente Lula, menosprezando a articulação e o esforço feito por Edinho e Gleisi. “Quem tem a palavra final é Lula”, teria dito o governador, demonstrando insatisfação com os rumos da negociação. Prova do descontentamento: Brandão saiu contrariado e sequer registrou o encontro em suas redes sociais, gesto incomum para quem costuma exibir alinhamento com o Planalto.
Um interlocutor disse ao editor desse blog que “Lula foi aliado em todas as horas de Brandão, mas Brandão não conseguiu ser 1 minuto aliado de Lula e tudo por conta de um projeto familiar” !
