A rotina da praticagem na Baía de São Marcos, em São Luís, é considerada uma das mais desafiadoras do Mundo. Funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, a Zona de Praticagem 4 (ZP‑4) opera sob condições extremas, com correntes que podem atingir até seis nós e marés que chegam a 6,5 metros de variação. Nesse cenário, práticos altamente especializados assumem o comando técnico das embarcações, conduzindo navios de grande porte com precisão milimétrica até os terminais portuários.
O nível de complexidade aumenta diante de ventos que podem alcançar 45 nós e da necessidade de manobras simultâneas, especialmente nas proximidades do Porto do Itaqui. Para garantir segurança, a operação conta com lanchas de alta performance, 22 rebocadores azimutais de grande porte e uma atalaia moderna que monitora em tempo real toda a movimentação marítima. Esse aparato tecnológico é fundamental para evitar incidentes e assegurar que a barra permaneça aberta, mantendo o fluxo contínuo de embarcações.
As normas de manobra na baía são rigorosas e seguem critérios técnicos baseados na maré, corrente e calado das embarcações. Há, por exemplo, restrições para navios com calado superior a cinco metros, incluindo a proibição de atracação até três horas antes da preamar máxima. Essas regras são determinantes para preservar a segurança da navegação e proteger a infraestrutura portuária diante das condições naturais adversas da região.
A importância estratégica da praticagem se torna ainda mais evidente diante do crescimento da cabotagem no Nordeste. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, entre janeiro e dezembro de 2025 foram movimentadas 60,7 milhões de toneladas nos portos nordestinos, superando o volume registrado em 2024. O Maranhão aparece entre os estados com maior participação, ao lado da Bahia, Ceará e Pernambuco, consolidando-se como plataforma logística essencial para o abastecimento e a integração regional.
O avanço da cabotagem reforça o papel estratégico do transporte marítimo para a economia brasileira. Ao concentrar grandes volumes no modal marítimo, reduz-se a pressão sobre as rodovias, ampliando a previsibilidade e a segurança no transporte de combustíveis, matérias-primas e produtos industrializados. Nesse contexto, a atuação técnica e permanente dos práticos na Baía de São Marcos não apenas garante a segurança da navegação, mas sustenta diretamente o crescimento econômico e a competitividade da região Nordeste.
Falaremos mais em outra postagens , sobre os riscos que os práticos correm especialmente no Maranhão …
