As investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos em São Benedito do Rio Preto podem ganhar um novo e explosivo capítulo: o possível envolvimento de deputados por meio de emendas parlamentares. A apuração, que já resultou no afastamento do prefeito Wallas Gonçalves Rocha (Republicanos) e de integrantes do alto escalão da gestão municipal, agora avança para analisar se verbas destinadas ao município teriam sido utilizadas dentro de um contexto de negociação política e pagamento de propina, conforme indicam áudios captados durante a investigação.
De acordo com a PF, o núcleo já investigado é suspeito de fraudar recursos do Fundeb, com desvios que ultrapassariam R$ 13 milhões. Os valores, segundo os investigadores, teriam sido pulverizados desde 2023 por meio de transferências a blogueiros, candidatos a vereador ligados ao grupo político do prefeito, familiares, apoiadores e empresas. A suspeita é que os recursos públicos tenham sido usados para fortalecer a campanha eleitoral de 2024. Mais de mil pessoas teriam sido beneficiadas financeiramente pelo esquema, ainda sob apuração.
Além de Wallas Gonçalves Rocha, a investigação cita o secretário de Educação, Jairo Viana Frazão; Andreya Almeida Aguiar Monteiro da Silva, apontada como ordenadora de despesas; a secretária-adjunta de Educação, Celina Maria Albuquerque; e José Luís Rodrigues Barbosa, ex-secretário de Planejamento e atual vereador. Todos são mencionados no contexto das apurações, que ainda estão em andamento. A nova linha investigativa busca esclarecer se parlamentares foram mencionados em tratativas entre empresários e o prefeito envolvendo liberação de recursos e supostos retornos financeiros ilegais.
No campo judicial, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão prorrogou por mais 45 dias o afastamento do prefeito, decisão da desembargadora Maria Francisca Gualberto de Galiza, relatora de uma petição criminal que tramita sob segredo de Justiça. A magistrada entendeu que o retorno imediato do gestor poderia interferir nas investigações. Apesar de apontar falhas formais em relatório de auditoria anexado ao processo, a relatora considerou que o cenário ainda exige cautela, mantendo a medida enquanto as apurações seguem agora sob a expectativa de um desdobramento que pode atingir o núcleo político estadual.
