A independência do Ministério Público do Maranhão está sob escrutínio. Nos bastidores, a instituição já é chamada por políticos e interlocutores de “puxadinho dos Leões”, em referência ao Palácio do Governo. A percepção de que a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) atua como um braço político blindando os interesses do governador Carlos Brandão (PSB) não surge à toa: ela é construída a partir de uma sequência de arquivamentos suspeitos e manobras financeiras que comprometem a imparcialidade do órgão.
No dia 22 de outubro de 2025, o governador Brandão assinou um decreto que abriu crédito suplementar de R$ 60,7 milhões para a PGJ. A assinatura não seria problemática se a verba não tivesse saído de recursos originalmente destinados ao saneamento básico. A manobra orçamentária, que ocorre a poucos meses do fim do mandato do atual procurador-geral, Danilo de Castro Ferreira, é lida nos corredores jurídicos como uma moeda de troca explícita: dinheiro retirado de áreas essenciais para financiar o órgão que, em tese, deveria fiscalizar o próprio governador, garantindo apoio para uma possível reeleição de Danilo.

Com os cofres cheios graças ao governo, o Ministério Público sob a gestão de Danilo se transformou em um arquivo de escândalos. É possível listar ao menos sete casos em que o dedo do Procurador-Geral foi determinante para frear apurações: o descumprimento da Lei de Acesso à Informação pelo governo foi arquivado. As denúncias de nepotismo cruzado na máquina estadual, idem. As investigações sobre as emendas parlamentares alvo de críticas ,incluindo entrevistas do prefeito Braide falando em improbidade também foram varridas para debaixo do tapete, assim como a ação que questionava a construção de uma escola com 350 portas e 3 km de meio-fio sem funcionalidade em Açailândia. O processo mais sensível, envolvendo propina no caso Tech Office, sofreu uma troca estratégica de promotor que culminou no arquivamento na cúpula.
A face mais explícita desse alinhamento surgiu no escândalo de Turilândia, onde o prefeito Paulo Curió , aliado político de Brandão ,foi preso por desviar mais de R$ 56 milhões. Apesar das evidências robustas que levaram o GAECO a efetuar as prisões, a Procuradoria-Geral de Justiça emitiu parecer favorável à soltura do prefeito e dos demais envolvidos. A interferência foi tão descarada que resultou na exoneração coletiva de dez promotores do Grupo de Atuação Especial, que denunciaram em carta que a “manifestação da PGJ enfraqueceu a atuação institucional no combate ao crime organizado” . A cúpula sacrificou a investigação para proteger o aliado do governador.
Enquanto os crimes do poder são blindados, a instituição parece usar seu peso contra quem se coloca no caminho do governo. O caso da promotora Aline Albuquerque é emblemático: após denunciar violência doméstica sofrida por um promotor que atuava como assessor direto na gestão de Danilo, ela passou a sofrer remoções e perseguições. Áudios revelados pela imprensa mostram pressão do chefe de gabinete da Corregedoria para que ela desistisse de direitos funcionais. Paralelamente, Danilo moveu uma ofensiva contra o vice-governador oposicionista Felipe Camarão, atuando para mantê-lo sob investigação por supostas movimentações financeiras atípicas ,uma diferença de tratamento que denuncia o uso político da caneta da Procuradoria.
Ao remanejar R$ 60 milhões do saneamento para a conveniência do Procurador-Geral, Carlos Brandão não fez um investimento em Justiça: fez um pagamento. Ao nomear aliados e arquivar processos incômodos, o MP do Maranhão cristalizou a percepção de que deixou de ser um fiscal da lei para se tornar uma extensão do Palácio dos Leões, blindando o governador enquanto se volta contra seus adversários.
Em tempo : contextualizando o título , essa é a imagem que a população maranhense tem do outrora “aguerrido e heróico” Ministério Público do Estado do Maranhão !
E mais : esse site é aberto para qualquer justificativa ou resposta por parte do Procurador Geral Danilo Castro .
