Um homem foi preso em flagrante pela Polícia Federal na última quarta-feira (4/11), em São Luís, transportando R$ 998.980 em espécie no porta-malas do carro. Identificado como João Pedro Mendes Pereira, ele é funcionário da Enciza Engenharia Civil Ltda. e atuava como uma espécie de “sacador” da construtora, segundo as investigações. O dinheiro, conforme as notas de empenho dos últimos pagamentos realizados à empresa, é oriundo do empréstimo de R$ 1,3 bilhão contratado pelo governo do Estado para obras de infraestrutura, com pagamento feito em 28/10 e destinado à obra do trecho Urbano Santos–Barreirinhas. Houve outros pagamentos, todos referentes a reajustes de medições de 2025 já quitadas. A PF investiga o empréstimo bilionário, que teria sido contratado na véspera da eleição.
A empresa para a qual o preso trabalha mantém contratos exclusivamente com o governo do Estado do Maranhão, somando R$ 34.033.018,47 empenhados, dos quais R$ 33.864.758,54 já foram pagos. Desse total, as supostas obras estão concentradas em dois redutos: o município de Barreirinhas, com R$ 9,47 milhões, e o trecho urbano de Urbano Santos, com R$ 5,81 milhões , os dois locais respondem pela fatia mais significativa dos pagamentos recebidos pela Enciza. Em Barreirinhas, a empresa firmou contrato com a SECID para conservação e manutenção de pavimentação; em Urbano Santos, executou pavimentação rodoviária na MA-225, em contrato de R$ 42,4 milhões com a Sinfra. Além desses, houve outros pagamentos, todos de reajuste de medições de 2025 já pagas.
A investigação da PF aponta que João Pedro era responsável pelas comunicações de provisionamento de dinheiro em espécie junto ao Banco do Brasil, em nome da Enciza. Os registros indicam solicitações de saques para os dias 4, 5, 6, 9 e 10 de novembro de 2026, totalizando mais de R$ 2,9 milhões , quantia que, somada a retiradas anteriores, ultrapassa esse valor. O Relatório de Inteligência Financeira também aponta movimentações da construtora superiores ao faturamento declarado, além da recorrência de saques em espécie e de operações relacionadas a licitações públicas.
Em depoimento à PF, João Pedro afirmou que os R$ 998.980 seriam destinados ao pagamento do sinal de aquisição de um imóvel avaliado em R$ 12,5 milhões, apresentando documentos de uma negociação imobiliária. Ainda assim, a Polícia Federal aprofundará a apuração para esclarecer se os recursos transportados têm relação com eventuais irregularidades nos contratos públicos executados pela Enciza, incluindo os de Barreirinhas e Urbano Santos. Ele foi preso por suspeita de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores (Lei nº 9.613/1998). Curiosamente, os contratos encontrados concentram-se em cidades ligadas à presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale, veja a íntegra do empenho e pagamento Nota de empenho da Encinza
