O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, comunicou a aliados que pretende deixar o cargo até sexta-feira (9). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta adiar a saída para ganhar tempo e definir um substituto para o comando da pasta, mas, segundo fontes do Palácio do Planalto, a decisão do ministro é considerada praticamente irreversível e a exoneração é tratada como iminente.
Lewandowski deve se reunir com Lula ainda nesta semana, após o retorno do presidente do recesso na Restinga da Marambaia, previsto para esta terça-feira (6). Nos bastidores do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a avaliação é de que a permanência do ministro se tornou insustentável. Servidores relatam que já circula internamente a informação de que o gabinete estaria sendo esvaziado, reforçando o clima de despedida.
Diferentemente de outros integrantes da Esplanada que deixam o governo para disputar eleições, Lewandowski não pretende concorrer a nenhum cargo público. A decisão de sair é atribuída a motivos pessoais e ao desgaste acumulado ao longo do último ano, marcado por tensões internas. A expectativa é de que parte dos secretários da pasta também deixe o governo junto com o ministro.
Caso a saída se confirme, Lewandowski deixará o cargo sem ver aprovada a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, principal bandeira de sua gestão. Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, ele assumiu o Ministério da Justiça no início de 2024, após Flávio Dino ser indicado por Lula para a Corte. A PEC enfrentou resistências internas, especialmente na Casa Civil, teve sua tramitação atrasada e acabou tendo a votação adiada no Congresso para este ano.
