Uma crise sem precedentes tomou conta do Ministério Público do Maranhão neste domingo (11), após dez promotores do Gaeco pedirem exoneração coletiva de suas funções, em protesto contra o parecer da Procuradoria-Geral de Justiça que defendeu a soltura dos investigados na Operação Tântalo II. A operação apura o desvio de R$ 56 milhões em recursos públicos no município de Turilândia, um dos maiores escândalos de corrupção já registrados no interior do estado.
No documento enviado ao procurador-geral Danilo José de Castro Ferreira, os integrantes do Gaeco afirmam que a manifestação da cúpula do MP contraria frontalmente o conjunto de provas reunidas durante meses de investigação e ignora decisões judiciais que decretaram as prisões preventivas com base em elementos considerados robustos. Para os promotores, a posição da PGJ não apenas enfraquece o caso, mas também compromete a própria autoridade institucional do Ministério Público no enfrentamento ao crime organizado.
A reação do Gaeco escancara uma divisão interna grave e levanta suspeitas de um possível aparelhamento político do MP-MA. Segundo os promotores, o parecer que favorece os investigados vai na contramão das metas do Plano Estratégico do órgão, que prevê justamente o fortalecimento da persecução penal contra organizações criminosas que se infiltram no poder público para sugar milhões dos cofres da população.
Nos bastidores, o clima é ainda mais explosivo. Fontes ligadas às investigações apontam que o marido da vice-prefeita de Turilândia teria suposta sociedade com figura influente do Palácio dos Leões, o que estaria por trás da súbita mudança de postura da Procuradoria-Geral. Embora essas informações ainda não tenham sido oficialmente comprovadas, elas alimentam a suspeita de que forças políticas externas possam ter atuado para aliviar a situação dos envolvidos no escândalo milionário.
Diante da ruptura institucional, os promotores afirmaram que a divergência tornou inviável a permanência no Gaeco e anunciaram que vão elaborar um relatório detalhado para garantir a continuidade das investigações. Assinam o pedido nomes de peso do combate ao crime organizado no Maranhão, incluindo o coordenador Luiz Muniz Rocha Filho, além de integrantes dos núcleos de São Luís, Imperatriz e Timon, em um gesto que transforma o caso Turilândia em uma bomba política e jurídica de grandes proporções, veja aqui o pedido Promotores pedem exoneração
