Com a aproximação das eleições no Maranhão, a condução política do governador Carlos Brandão se revela cheia de desafios e falhas. A estratégia do dirigente maranhense, baseada em algumas premissas, mostrou-se ineficaz, enquanto seu adversário, Felipe Camarão, demonstra resolução e potencial de crescimento eleitoral. Na realidade, foi Brandão quem declarou que o candidato do Partido dos Trabalhadores aumentará nas intenções de voto, durante uma entrevista ao jornalista John Cutrim. Ele também mencionou que a candidatura de Eduardo Braide está consolidada em São Luís. O que causou surpresa foi que, na mesma entrevista, ele afirmou, apesar de tais reconhecimentos, que seu sobrinho Orleans possui chances de vencer a eleição já no primeiro turno. É indicativo da falta de lógica na avaliação.
Vejamos alguns dos fatores que comprovam esse contexto.
Perda do Controle sobre o PSB
Brandão acreditou que manteria o controle do PSB no Maranhão, mas essa suposição estava errada. A divisão interna e a desmotivação de filiados prejudicaram sua capacidade de mobilização política, enfraquecendo sua posição nas eleições. Essa perda de controle no partido reflete sua dificuldade em articular uma base sólida de apoio. Adicionalmente, especialistas notam que Brandão dá prioridade à chamada classe política, em vez de priorizar os interesses genuínos da população.
Apoio de Lula e o Currículo de Felipe Camarão
Brandão fez uma aposta de que seu sobrinho, Orleans Brandão, receberia o apoio de Lula. Porém, na verdade, foi Felipe Camarão quem ganhou o suporte do presidente, pessoa com mais votos no estado. Esse apoio fortalece sua candidatura e lhe proporciona visibilidade e credibilidade muito consideráveis nas urnas. Com Lula ao seu lado, Camarão se posiciona como um candidato sólido e confiável, capaz de atrair eleitores insatisfeitos com a atual gestão.
Mas há de se ressaltar que Camarão possui brilho próprio, uma formação acadêmica robusta, incluindo graduação em Direito e dois doutorados. Atualmente, é vice-governador do Maranhão e já foi secretário de Estado em várias áreas, com destaque para a Educação. Durante sua gestão, ele implementou políticas que melhoraram a qualidade do ensino e expandiram o acesso à formação no estado. Sua trajetória o torna um candidato respeitado, além de contar com a lembrança positiva do governo de Flávio Dino, do qual fez parte. Uma parcela da população recorda que a trajetória escolhida por Brandão é uma desonra a Flávio Dino, o principal impulsionador de sua eleição para governador. Pesquisas demonstram que a gestão de Flávio Dino é vista de forma favorável, representando um ótimo capital eleitoral para Camarão.
Candidatura de Eduardo Braide
Brandão subestimou a coragem de Eduardo Braide, que, ao se desincompatibilizar de seu cargo como ex-prefeito de São Luís para disputar a eleição, se torna um adversário forte e bem posicionado. Essa movimentação inesperada (para Brandão) trouxe à tona um candidato que, mesmo após deixar a prefeitura, mantém uma base eleitoral significativa.
Estagnação de Orleans Brandão nas Pesquisas
A expectativa de que Orleans Brandão cresceria nas pesquisas eleitorais não se concretizou. Ao contrário, sua candidatura enfrenta dificuldades, refletidas em números que não impressionam. O fato de Orleans ser sobrinho do governador gera rejeição ao seu nome, uma vez que a população reprova o formato oligárquico da candidatura, ainda mais por ser apoiada pela família Sarney. A falta do amparo de Lula e a desconexão com as demandas populares contribuíram para essa estagnação, resultando em uma percepção de fragilidade na campanha. A falta de uma coordenação mais eficiente levou à perda de controle sobre a eleição para o Senado, intensificando a pressão sobre a administração.
Polarização e Desafios Adicionais
A polarização entre o bolsonarismo e o lulismo também representa um grande desafio para Brandão. A candidatura de Lahesio Bonfim pode retirar votos de Orleans, complicando ainda mais a situação do governador. Essa dinâmica eleitoral torna o cenário ainda mais imprevisível, exigindo que Brandão reavalie sua estratégia para conquistar o apoio dos eleitores que se sentem atraídos por essas correntes políticas. A dificuldade reside na limitada margem de manobra, considerando as circunstâncias e o desgaste acumulado.
Conclusão
Os erros na estratégia política de Carlos Brandão podem lhe custar caro. O medo de que seu sobrinho, Orleans Brandão, possa perder é uma situação que o preocupa. Isso é especialmente importante porque a família do governador tem sido seu apoio político há muitos anos. Se Brandão não mudar sua abordagem, corre o risco de ver sua família sem representação e mandato, afetando não apenas sua influência política, mas também desestabilizando suas aspirações futuras.
Neste contexto, tudo indica que o Maranhão se prepara para escolher um novo rumo nas urnas.
Clayton Noleto é historiador.
