O governador Carlos Brandão (PSB) enviou à Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) projetos de lei que pedem autorização para um pacote de empréstimos de quase R$ 2,8 bilhões. As propostas, protocoladas nos últimos dias, incluem captações em reais, euros e dólares, com bancos nacionais e internacionais. A oposição classifica a medida como “pauta-bomba” e critica não apenas o valor bilionário, mas o momento escolhido: a poucos meses das eleições, o que comprometeria os orçamentos estaduais pelos próximos 20 anos.
O principal pedido é de R$ 1,3 bilhão ao Banco do Brasil. Na justificativa oficial, o recurso seria para “obras de infraestrutura”, mas a mensagem do próprio governador admite que o dinheiro servirá, na verdade, para refinanciar uma dívida antiga com juros mais baixos. Apesar da melhora da nota de crédito do estado, deputados apontam falta de transparência e debate público. Outro ponto de alerta é o endividamento em moeda estrangeira: o governo quer captar US$ 81 milhões e € 57,3 milhões junto ao BID e à Agência Francesa de Desenvolvimento para um programa de conectividade, valor que ficará refém da oscilação cambial.
Na área da habitação, a situação também levanta suspeitas. Foram protocolados dois projetos separados para o mesmo programa Pró-Moradia, totalizando R$ 290 milhões para moradias populares, além de outro de R$ 123,5 milhões para renovação da frota de ônibus. O volume de propostas semelhantes para o mesmo fim chamou a atenção de parlamentares, que veem indícios de fracionamento de despesas para acelerar a liberação dos recursos sem o devido escrutínio.
O projeto foi retirado de pauta nesta semana, mas pode voltar à votação já na próxima. Segundo denúncias de deputados, a finalidade real desse dinheiro não seria a declarada oficialmente, mas sim custear a campanha do sobrinho do governador e de candidatos a deputado aliados. O montante bilionário, a urgência eleitoral e a falta de clareza sobre o destino dos recursos tornam o pedido profundamente suspeito.
