A possível instalação da CPI da Lavagem de Dinheiro na Assembleia Legislativa do Maranhão, inicialmente vista como uma ofensiva política contra o vice-governador Felipe Camarão, pode ampliar seu alcance e atingir outros agentes públicos que passaram por cargos estratégicos no governo estadual. O texto da comissão prevê investigação sobre eventual participação de órgãos, entidades e agentes da administração pública estadual no período analisado.
Nesse cenário, a deputada estadual Ana do Gás surge como um dos nomes que podem entrar no foco das apurações. Ela ocupou o cargo de secretária de Estado de Assuntos Legislativos entre maio de 2023 e novembro de 2024, justamente dentro do intervalo temporal delimitado pela CPI. Durante esse período, a parlamentar apresentou crescimento patrimonial significativo em comparação às declarações feitas anteriormente à Justiça Eleitoral.
Em 2022, ao disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa, Ana do Gás declarou patrimônio de R$ 795 mil. Já em 2024, ao registrar candidatura à Prefeitura de Santo Antônio dos Lopes, informou possuir bens avaliados em R$ 1.123.312,00, representando aumento superior a 40% em apenas dois anos. O acréscimo de aproximadamente R$ 328 mil chama atenção por coincidir com sua passagem pela estrutura do Executivo estadual.
O crescimento patrimonial, segundo críticos, levanta questionamentos sobre compatibilidade entre evolução financeira e remuneração recebida no período, considerando que o salário de deputados estaduais em 2023 era de R$ 29.469,99. Antes disso, entre as eleições de 2018 e 2022, a parlamentar havia registrado redução patrimonial. Com isso, aliados e opositores aguardam a definição sobre a instalação da CPI, que poderá aprofundar ou afastar suspeitas envolvendo diferentes setores do governo e agentes políticos citados no escopo da comissão, veja :



