Nesta segunda-feira (23), o vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão, deu entrada em um pedido de apuração de responsabilidades no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e anunciou a abertura de um processo de investigação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o procurador-geral de Justiça, Danilo de Castro. A medida é uma resposta direta ao vazamento de uma peça jurídica pela Procuradoria Geral de Justiça, que Camarão classifica como infundada, repleta de vícios e ilegalidades. Em sua defesa, o vice-governador destacou o que considera o ponto mais grave da ação: a exposição indevida de dados pessoais e imagens de sua filha de 12 anos e de outros parentes menores de idade, que teriam sido incluídos no documento sem qualquer rigor investigativo.
Para Camarão, o episódio configura um “factoide político” forjado para desgastar sua imagem em um momento estratégico do calendário eleitoral. Ele questiona a cronologia dos acontecimentos, apontando que, embora o procurador-geral afirme que a suposta investigação tramita há um ano, o pedido de afastamento contra ele só veio a público a poucos dias do prazo de desincompatibilização, data limite para que o atual governador renuncie ao cargo caso deseje concorrer ao Senado. “Na nota emitida pelo PGJ, ele afirma que a suposta investigação estaria ocorrendo há um ano, mas só agora, faltando duas semanas para o prazo da renúncia, ele apresenta um pedido de afastamento meu?”, questionou o vice-governador, que reforçou ter todas as suas movimentações financeiras declaradas no Imposto de Renda.
Com mais de duas décadas de carreira jurídica, Felipe Camarão afirmou que não se curvará ao que chamou de “estado policialesco” e destacou que sequer foi intimado oficialmente para ter acesso ao teor da acusação. Além das medidas no TJ-MA e no CNMP, ele relembrou um episódio anterior em que foi alvo de uma acusação considerada falsa por parte de uma deputada estadual, cujo caso foi arquivado por unanimidade, com parecer favorável do próprio Ministério Público. “A decisão unânime, com parecer favorável do MP, transitou em julgado, confirmando a nulidade de todas as provas e declarando que o laudo pericial era imprestável. Ou seja, a falsa acusação contra mim era política e foi devidamente julgada e arquivada”, concluiu o vice-governador, reafirmando sua confiança na Justiça para mais uma vez afastar as acusações que considera ilegítimas.
