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Ver. Ednilson do Kantão é multado em quase R$ 800 mil por crimes ambientais em São José de Ribamar
Um escândalo administrativo e ambiental atinge o legislativo de São José de Ribamar. O vereador Ednilson do Kantão, aliado do vice-prefeito Natercio, foi multado em R$ 739.450,00 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMAM) após a constatação de graves infrações ambientais cometidas por sua empresa, a Shekinah Material de Construção LTDA. O parlamentar, que ironicamente integra a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal, suspeitasse que ele tentou obstruir a fiscalização e operava um depósito clandestino de madeira sem licença e com estoque de origem supostamente criminosa.
Documentos oficiais da SEMMAM revelam que as infrações foram constatadas em dezembro de 2025. No dia 12, fiscais tentaram vistoriar o pátio da empresa e tiveram o acesso negado pelo próprio vereador, configurando obstrução ao poder público. Apenas cinco dias depois, já sob determinação judicial, os agentes conseguiram ingressar no local e flagraram o estabelecimento funcionando sem licença ambiental e mantendo grande quantidade de madeira nativa sem qualquer comprovação de origem lícita. O parecer técnico do Processo 000006/2025 classifica a conduta como “reiteração consciente de ilícitos” e ressalta que o autuado, por ser vereador e membro da Comissão de Meio Ambiente, possui pleno conhecimento da legislação ambiental, o que afasta qualquer alegação de boa-fé e evidencia o dolo.
Agora, o caso ameaça derrubar o mandato do parlamentar e expõe politicamente o vice-prefeito Natercio, um de seus principais aliados. Dentro da Câmara, a oposição já recolhe assinaturas para representação no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. A permanência de Ednilson na Comissão de Meio Ambiente tornou-se politicamente insustentável. O Ministério Público do Maranhão (MPMA) deverá investigar a ocorrência de crime ambiental e improbidade administrativa, uma vez que o agente público obteve vantagem econômica indevida por meio de práticas ilegais enquanto exercia função diretamente ligada à fiscalização ambiental. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) também foi acionado para apurar eventuais reflexos na gestão pública. Se condenado, o vereador pode perder o mandato, ficar inelegível por oito anos e responder criminalmente com pena de reclusão.
