O Tribunal de Justiça do Maranhão definiu nesta quarta-feira (04), em sessão plenária administrativa realizada de forma híbrida, a nova Mesa Diretora do Judiciário estadual para o biênio 2026–2028. O desembargador Ricardo Duailibe foi eleito presidente da Corte. Também passam a compor a direção os desembargadores Gervásio Santos, como vice-presidente; José Gonçalo de Sousa, como corregedor-geral da Justiça; e a desembargadora Angela Salazar, como corregedora-geral do Foro Extrajudicial. A condução da sessão foi feita pelo atual presidente, desembargador Froz Sobrinho.
A apuração dos votos ocorreu com a presença de candidatas e candidatos e foi coordenada pelo decano da Corte, desembargador Bayma Araújo. Conforme o Regimento Interno do TJMA, a posse da nova direção ocorrerá em sessão solene do Plenário na última sexta-feira útil de abril. As votações foram disputadas: Duailibe venceu a presidência com 19 votos, contra 14 dados ao desembargador José Luiz Almeida, enquanto Gervásio Santos também obteve 19 votos para a vice-presidência, superando Tyrone Silva, que recebeu 14.
Em especial a Corregedoria-Geral da Justiça:
Para a Corregedoria-Geral da Justiça, o desembargador José Gonçalo de Sousa foi eleito com 20 votos, à frente do desembargador Raimundo Barros, que obteve 13. Já a desembargadora Angela Salazar conquistou a Corregedoria do Foro Extrajudicial com 18 votos, contra 15 da desembargadora Sônia Amaral. Paralelamente, o TJMA também elegeu o desembargador Sebastião Bonfim para vaga de membro titular do TRE-MA, com 17 votos, em substituição ao desembargador Paulo Sérgio Velten Pereira ao fim do biênio.
A disputa pela Corregedoria-Geral da Justiça ocorreu em um contexto de debates públicos recentes envolvendo o nome de Raimundo Barros supostamente apoiado pelo governador Brandão. Reportagens e análises políticas desse blog , levantaram questionamentos sobre decisões judiciais por ele relatadas em casos contra o vice governador , além de apontarem suposta proximidade de seu gabinete com a família do governador Carlos Brandão, a partir da atuação de pessoa com vínculo familiar com o núcleo político do Executivo. Também foram citadas, nas publicações, suspeitas de circulação de vazamentos de informações processuais de foro sigiloso nível 5. Não há, até o momento, decisão judicial que reconheça irregularidades, mas os episódios ampliaram o debate sobre percepção de imparcialidade, independência e transparência no Judiciário.
Nesse cenário, a eleição de José Gonçalo de Sousa para a Corregedoria foi vista por parte de observadores como um gesto de reforço institucional à ideia de autonomia interna e equilíbrio na fiscalização disciplinar da magistratura.
