Enquanto o governo do Estado anuncia pacotes de obras e investimentos em grandes centros, no município de Afonso Cunha, a realidade da educação pública estadual é outra: abandono puro e simples. Os alunos da Escola Estadual Analiz Bacelar Silva foram às ruas nesta semana não por conta de merenda ou transporte, mas para exigir o básico: um prédio próprio para chamar de escola. Há mais de três anos, esses estudantes convivem com salas improvisadas, estrutura precária e a sensação incômoda de que foram esquecidos pelo poder público.
Com cartazes que escancaram a insatisfação, os jovens protestaram contra a lentidão de uma obra que não sai do papel. “Educação não espera” e “Queremos escola, não promessas” não são apenas frases de efeito, mas o retrato fiel de uma comunidade que já perdeu a conta de quantas promessas feita pelo governo Brandão , sem que a tão sonhada sede própria se tornasse realidade. Como aprender química, física ou matemática em um ambiente que sequer tem estrutura física adequada para abrigar uma sala de aula digna?
A manifestação dos estudantes escancara um descaso histórico que vai além da falta de tijolos e concreto. É a negligência com o futuro de uma geração inteira. Em vez de formar cidadãos preparados, o Estado insiste em oferecer improviso e desrespeito. Se a educação é a base de tudo, o que esperar de um governo que abandona os alunos à própria sorte em Afonso Cunha? A resposta está nas ruas: a paciência acabou.

