A exoneração do professor Luciano Façanha da direção do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) deixou de ser apenas um ato administrativo para se transformar em uma crise política aberta dentro da instituição. Nos corredores da universidade, a leitura predominante já não é de rotina burocrática, mas de uma decisão calculada, com forte viés ideológico e recado direto a setores historicamente alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Façanha, que era diretor eleito e poderia ser reconduzido pró-tempore, foi simplesmente substituído sem consulta ao Conselho de Centro , um gesto visto por docentes como ruptura deliberada com a tradição democrática da universidade. A justificativa formal, baseada no fim da portaria, é considerada frágil por professores, que apontam seletividade no ato. A pergunta que ecoa é direta: por que apenas o CCH foi alvo dessa “canetada”?
A resposta, segundo fontes internas, seria ainda mais explosiva. Há uma percepção crescente de que o reitor iniciou uma guinada estratégica à direita, motivada por cálculos políticos nacionais e pela tentativa de garantir sustentação no cargo. Nos bastidores, circula a avaliação de que o cenário eleitoral futuro poderia favorecer nomes como Flávio Bolsonaro, o que teria levado a reitoria a se reposicionar, afastando figuras identificadas com o campo progressista dentro da universidade.
A medida foi interpretada por parte da comunidade acadêmica como um “expurgo silencioso”, sinalizando que posições políticas podem estar pesando mais que critérios técnicos na ocupação de cargos. Programas de pós-graduação e docentes já falam abertamente em clima de medo, censura velada e enfraquecimento da autonomia universitária. O episódio reacende o fantasma de intervenções políticas em instituições federais de ensino, tema que marcou o debate nacional nos últimos anos.
Sem qualquer manifestação oficial mais robusta da reitoria até o momento, o silêncio só amplia a crise. Para críticos, não se trata mais de um caso isolado, mas de um divisor de águas: ou a UFMA reafirma seus princípios democráticos ou se consolida como palco de disputas ideológicas onde cargos passam a ser definidos por alinhamento político. A exoneração de Façanha, nesse contexto, deixa de ser um ato administrativo e passa a ser vista como o primeiro movimento explícito de uma nova orientação de poder dentro da universidade.
O episódio também tende a provocar reação de aliados do presidente Lula em Brasília, diante da leitura de que a reitoria estaria se aproximando de setores ligados a Flávio Bolsonaro e adotando postura desfavorável a apoiadores do governo federal, agora é aguardar os próximos capítulos…
