O Governo do Maranhão, que hoje abriga figuras alinhadas ao extremismo de direita e ao bolsonarismo, protagoniza mais um episódio constrangedor envolvendo a condução de políticas públicas sensíveis. Desta vez, o centro da polêmica é o presidente do Conselho Estadual de Políticas Sobre Drogas do Maranhão (CEPD-MA), Erisson Sousa Lindoso, que utilizou as redes sociais para atacar internautas de forma vulgar e incompatível com o cargo que ocupa. O estopim foi uma postagem da página “Brasil Antigamente” que retratava a cena do assassinato de Carlos Marighella, figura histórica da esquerda brasileira.
Incomodado com a repercussão da publicação, o presidente do conselho passou a desqualificar a página, chamando‑a de “mequetrefe”, e avançou ainda mais ao insinuar que pessoas que discordavam de sua opinião fariam uso de drogas. Em um comentário público, Erisson questionou um internauta com a frase: “qual é, fumador de maconha estragada”, atribuindo a uma pessoa desconhecida o uso de entorpecentes simplesmente por expressar uma opinião contrária à sua. A postura é ainda mais grave por partir justamente de quem preside um conselho voltado à formulação e acompanhamento de políticas sobre drogas no estado, veja :

Diante desse comportamento, a pergunta que se impõe é inevitável: alguém que age dessa forma antiética, preconceituosa e agressiva tem condições morais e institucionais de dirigir um conselho estratégico e de tamanha relevância social? A situação se agrava quando se considera que Erisson Sousa Lindoso também ocupa cadeira no Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas. Como o governador Carlos Brandão, que se apresenta como “aliado” do presidente Lula, mantém em sua estrutura uma figura que estigmatiza cidadãos e banaliza o tema das drogas para atacar adversários ideológicos? O episódio lança dúvidas não apenas sobre a coerência política do governo, mas também sobre como são tratadas, nos bastidores, as pessoas que tem opiniões contrárias e realmente precisam do apoio e da escuta desse conselho no Maranhão.
Questionado pelo editor deste blog sobre a postura antiética e incompatível com o cargo que ocupa, o presidente do CEPD-MA apagou a acusação feita nas redes sociais e, em vez de prestar esclarecimentos públicos, optou por bloquear a página. A atitude reforça a falta de disposição para o diálogo, a transparência e o contraditório, valores fundamentais para qualquer gestor público, especialmente em um conselho que deveria prezar pelo acolhimento, pelo respeito e pela responsabilidade institucional.
