Em mais um episódio do seu proselitismo político, o prefeito Eduardo Braide usou as redes sociais para afirmar que vai entrar na Justiça contra a lei promulgada pela Câmara Municipal de São Luís, que prevê o aumento do seu salário. Essa lei tem como objetivo principal evitar perdas e regularizar os vencimentos de mais de 400 servidores municipais que têm seus salários vinculados ao do chefe do Executivo Municipal.
Além de não contar a verdade sobre o que está por trás do aumento do seu próprio salário, Braide não menciona o reajuste concedido à vice-prefeita Esmênia e aos seus secretários, que tiveram um aumento de quase 100% em seus vencimentos, por meio de uma lei sancionada por ele próprio.
Na verdade, o prefeito de São Luís usou seu então líder de governo na Câmara à época, o vereador Daniel Oliveira, para desvincular o seu salário do dos demais auxiliares, em uma manobra realizada a partir de dois projetos de lei diferentes apresentados no parlamento municipal.
Ao realizar essa manobra, Braide conseguiu conceder o aumento aos seus secretários e, ao mesmo tempo, utilizar o aumento de seu próprio salário como discurso político. Além disso, ele barrou a melhoria salarial para os auditores e controladores — uma categoria que recentemente apresentou denúncia sobre uma série de manobras administrativas supostamente ilegais, que resultaram na liberação de pagamentos milionários referentes aos eventos de Réveillon e Carnaval de 2025, ignorando pareceres técnicos, normas legais e princípios constitucionais da administração pública.
Ao fazer encenação contra o aumento do próprio salário, Braide esconde tudo o que há por trás dessa artimanha e subestima a capacidade da população de São Luís de compreender por que alguém não gostaria de receber um reajuste em seus vencimentos.
Seria muito mais justo se Braide aceitasse o aumento e o doasse a instituições de caridade ou a pessoas que realmente precisam. Mas o objetivo dele é apenas usar o episódio como discurso político nas redes sociais e prejudicar os servidores que estão de olho nas aberrações administrativas da sua gestão.