Agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão no DF e no Maranhão para apurar esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo fraudes no INSS. Alvos incluem familiares do parlamentar e o prefeito Fred Campos.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (4) a nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS. A ação cumpre 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os principais alvos estão o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, familiares do parlamentar e o prefeito de Paço do Lumiar-MA, Fred Campos .
As investigações apontam movimentações financeiras e patrimoniais suspeitas que teriam sido realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie com o objetivo de ocultar a origem e o destino dos recursos . A PF busca esclarecer a origem do dinheiro, os objetivos dos repasses e individualizar as condutas de cada envolvido no suposto esquema de lavagem de dinheiro. O prefeito Fred Campos teve mandado cumprido por determinação do STF .
O senador Weverton Rocha, que já havia sido alvo da operação em dezembro de 2025, nega qualquer envolvimento e afirma que as acusações têm motivação política. Em entrevista à GloboNews, o parlamentar declarou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contra pedidos de busca em sua residência e que não há demonstração de vínculo entre ele e as condutas ilícitas . A PGR, em parecer anterior, reconheceu fragilidade nas provas contra o senador, afirmando que “o simples fato de ex-assessores terem sido destinatários de valores não autoriza, automaticamente, a extensão de responsabilidade ao titular do mandato sem base fática robusta” .
Outro alvo da operação é o advogado Willer Tomaz, proprietário da aeronave que o senador Weverton Rocha teria utilizado em viagens investigadas. Em nota, a defesa de Tomaz afirmou que o mandado “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador” e que o advogado “não é investigado” pela operação, pois “não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários” .
A Operação Sem Desconto, que em abril de 2025 revelou um esquema de descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024, já apontou desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões . A nova fase deve aprofundar as investigações sobre a lavagem do dinheiro obtido com as fraudes, que envolvia associações de fachada, servidores públicos e operadores financeiros . As apurações seguem em segredo de Justiça sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF.
