O cenário político maranhense assiste ao que parece ser o capítulo final de uma trajetória que, outrora, projetava hegemonia. Para Carlos Brandão, o fim do mandato não representa apenas uma transição de cargo, mas o início de um inverno rigoroso e solitário. Ao descer as escadarias do Palácio dos Leões pela última vez, Brandão não deixará apenas o governo; deixará para trás o foro privilegiado e a blindagem que o cargo lhe conferia.
A Perda do Escudo Jurídico
Sem o mandato e as prerrogativas de função, o ex-governador se vê agora exposto, face a face, com as garras da justiça. Onde antes havia o silêncio institucional, agora ecoa o barulho dos processos que tramitam nas instâncias comuns. A queda da imunidade transforma o aliado de ontem no alvo vulnerável de amanhã, forçando‑o a enfrentar o Judiciário sem o peso da caneta estatal para equilibrar a balança.
O Fator Marcus Brandão: O Arquiteto da Ruína?
Nos bastidores e nas rodas políticas, o diagnóstico é quase unânime: o declínio foi acelerado pelas ações de seu irmão, Marcus Brandão. Apontado como o mentor de estratégias arriscadas e “loucuras” políticas, Marcus é visto como o personagem que esticou a corda além do limite suportável.
A influência excessiva do núcleo familiar nas decisões de governo criou arestas impossíveis de aparar, isolando o governador de aliados históricos e atraindo os holofotes de órgãos de controle. O que deveria ser um suporte transformou-se no principal combustível para o desgaste da imagem pública e jurídica da família.
O Triste Fim
O ocaso de Brandão serve como um lembrete da efemeridade do poder. Entre a ambição de um grupo familiar e a realidade dos tribunais, resta agora um político sem palanque, sem mandato e cercado por incertezas. O destino, que outrora parecia generoso, hoje reserva o rigor da lei para quem, no auge da sua influência, esqueceu que o foro é temporário, mas a justiça é persistente.
