A força política da família Brandão no Maranhão tem sido vista como tão grande que, na prática, passa a impressão de ultrapassar os limites institucionais. O grupo segue em ritmo acelerado a construção da candidatura do sucessor familiar, o sobrinho do atual chefe do Executivo estadual, em uma movimentação que já não se comporta como simples pré-campanha, mas como uma campanha em curso, com estrutura, presença pública constante e forte exposição política.
O que deveria ser apenas articulação pré-eleitoral se transformou em ações públicas contínuas, em cartões de cesta básica com patrocínios, entrega de equipamentos e materiais com identidade visual ligada ao número que deverá estar nas urnas, além de divulgação em eventos e espaços de grande visibilidade, como camarotes na Avenida Litorânea. Houve decisão judicial determinando a retirada de propagandas consideradas irregulares naquele espaço, o que coloca o debate diretamente no campo do cumprimento da legislação eleitoral, veja alguns exemplos :

A crítica que cresce no cenário político é a de que a Justiça Eleitoral no Maranhão não tem reagido com a mesma firmeza diante desse conjunto de situações. A leitura é de que regras do período eleitoral estariam sendo tensionadas, enquanto o grupo governista atua com segurança, estrutura e presença constante, reforçando a percepção de concentração de poder e enfraquecimento do peso das instituições de controle, na verdade a sensações é só uma, que no Maranhão a justiça está de férias prolongadas , seja ela eleitoral ou justiça normal.
Outro ponto grave envolve suspeitas de possível uso político de estruturas de segurança no estado. Já vieram à tona questionamentos sobre laudo supostamente forjado no interior do Maranhão, além de comentários sobre investigações e possível monitoramento de telefone ligados ao ambiente político, elementos que elevam o nível de tensão e mostram como a disputa ultrapassa o campo puramente eleitoral.
O cenário ganha ainda mais peso quando comparado a episódios nacionais. Em Recife, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a Polícia Federal investigasse suspeita de espionagem contra o secretário de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, que teriam sido seguidos, fotografados e monitorados sem inquérito formal. Casos assim mostram que o uso político de estruturas estatais é uma preocupação real no país e reforçam o alerta sobre os limites entre poder político, instituições e democracia.
