Presa preventivamente desde 22 de dezembro por determinação da Justiça, a primeira-dama de Turilândia, Eva Maria Oliveira Cutrim Dantas, conhecida como Eva Curió, finalmente foi exonerada do cargo de superintendente de Articulação Regional da regional de Viana, função vinculada à Secretaria de Estado da Articulação Política do governo Carlos Brandão. A demissão, publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 5, teve efeito retroativo ao dia 24 do mês passado, levantando questionamentos sobre a demora da medida diante da gravidade do caso.
Eva Curió figurava como uma das pré-candidatas a deputada estadual mais comentadas nos bastidores políticos e também como a maior cabo eleitoral do sobrinho do governador nessa região, mesmo após ter o nome envolvido em uma das maiores investigações de corrupção do interior do Maranhão. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, ela e o marido, o prefeito afastado Paulo Curió, são apontados como líderes de uma organização criminosa responsável por desviar cerca de R$ 56 milhões dos cofres públicos de Turilândia ao longo dos últimos quatro anos.
As investigações apontam que o esquema funcionava por meio de fraudes em processos licitatórios, envolvendo empresas de fachada e contratos superfaturados. A segunda fase da Operação Tântalo resultou na prisão do casal Curió e de outras 19 pessoas, entre elas a vice-prefeita Tanya Mendes e os onze vereadores do município, o que escancarou um suposto conluio político-administrativo sem precedentes na cidade, virando até notícia do “fantástico”.
O que mais chama atenção, porém, é o fato de Eva Curió ter sido mantida no cargo mesmo após a decretação de sua prisão preventiva, situação que alimenta suspeitas de blindagem política. Nos bastidores, a leitura é de que o governo teria apostado na possibilidade de a superintendente se livrar das acusações, preservando o projeto político do grupo governista em Turilândia, inclusive com interesses eleitorais ligados ao entorno familiar do governador Brandão. A exoneração tardia, nesse contexto, soa menos como zelo administrativo e mais como um movimento forçado pela pressão dos fatos.
