Em um movimento unificado e contundente, 54 entidades de defesa dos direitos das mulheres no Maranhão assinaram uma nota de repúdio contra o assédio sexual sofrido por uma delegada de polícia, supostamente praticado pelo atual Secretário de Segurança Pública do Estado (SSP-MA). O documento, liderado pelo Fórum Maranhense de Mulheres (FMM) e divulgado na última terça-feira (10), não apenas condena a violência contra a vítima, mas clama pela imediata demissão do chefe da pasta, apontando incompatibilidade entre o discurso de proteção e a conduta machista vinda do alto escalão do governo Carlos Brandão.
A nota pública ressalta a gravidade do ocorrido ao considerar o cargo ocupado pelo agressor. “Ao nos depararmos com a denúncia feita por uma delegada, vítima de assédio sexual cometida pelo atual secretário, evidenciamos desrespeito e despreparo de quem deveria zelar pela segurança das mulheres maranhenses”, afirma o texto. As entidades destacam que a violência praticada se torna ainda mais grave em virtude da pasta que ocupa — uma das principais responsáveis justamente pelo combate à violência de gênero no estado. As expressões de assédio, tratadas como “elogio” pelo agressor, são classificadas na nota como uma demonstração explícita da “força patriarcal expressa através de ações machistas”.
O contexto apresentado pelas organizações escancara um cenário alarmante. Dados do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) apontam que, nos últimos cinco anos, 281.556 processos de violência doméstica foram julgados e 18.269 medidas protetivas foram emitidas. Entre 2023 e 2025, o estado registrou 154 feminicídios e 146 tentativas. Apenas em 2026, cinco mulheres já foram mortas e outras 26 sofreram tentativas de feminicídio. Para o FMM e as demais entidades, a denúncia da delegada insere-se justamente nessa “escalada de violências que atingem as mulheres em seus ambientes de trabalho, nas ruas e nas instituições”.
Ao longo das últimas décadas, o Fórum Maranhense de Mulheres tem empreendido esforços para superar as desigualdades de gênero no estado. Diante do que classificam como um “fato não isolado”, mas reflexo de uma cultura masculinista incutida na estrutura social, as 54 entidades exigem justiça e a exoneração imediata do secretário. A medida, segundo as ativistas, é fundamental para “restabelecer relações de respeito” em uma pasta estratégica para os movimentos sociais e para a proteção da vida das mulheres no Maranhão.
Veja a nota de repúdio das entidades aqui Nota de Solidariedade a familia de Idelany
