Com o prazo político se estreitando, o governador Carlos Brandão chega a um momento decisivo sobre seu futuro eleitoral. A indefinição em torno de uma candidatura ao Senado expõe as dificuldades criadas dentro do próprio grupo governista, marcado por disputas internas e pela tentativa de manter o controle do poder a partir de um projeto familiar de sucessão.
A negativa do presidente Lula em apoiar a candidatura de seu sobrinho ao governo do Estado reduziu drasticamente as alternativas do governador. Na prática, sempre existiram apenas dois caminhos: deixar o cargo para disputar o Senado ou permanecer até o fim do mandato tentando viabilizar o sobrinho como sucessor. Outras hipóteses passaram a ser tratadas como discursos artificiais, sustentados por dirigentes partidários ligados a práticas antigas de acomodação política e pouca afinidade com o fortalecimento do PT no Maranhão.
Na tentativa de reverter o cenário, Brandão intensificou articulações políticas e buscou recompor alianças. Entre os movimentos, reaproximou-se do senador Weverton Rocha, que havia rompido com o grupo, na expectativa de que ele pudesse interceder junto ao presidente Lula e ajudar a viabilizar o projeto do governo. Além disso, o governador recorreu a lideranças tradicionais e investiu fortemente em pesquisas, marketing e treinamentos para projetar o nome do herdeiro do clã. Apesar dos esforços e dos recursos empregados, a estratégia não convenceu o Planalto nem alterou a posição do presidente da República.
Diante desse quadro, o governador precisa decidir. Se optar por permanecer no cargo, enfrentará uma eleição complexa, sem o apoio de Lula e com um candidato pouco competitivo diante de adversários mais consolidados. Se decidir sair para o Senado, terá de recuar politicamente e fazer um gesto de reconstrução com o vice-governador Felipe Camarão e o grupo do ex-governador Flávio Dino, retomando uma aliança rompida ao longo do mandato. A questão central é se Brandão estará disposto a cumprir os compromissos assumidos em 2022 e reorganizar seu projeto político a tempo.
