Fotos que circulam nas redes sociais, e que já ultrapassaram os limites de São João do Sóter, mostram uma cena que provocou ampla repercussão, dois homens, apontados por moradores como ocupantes de cargos públicos, aparecem ajoelhados e beijando a mão da prefeita Maria do Carmo Cavalcante Lacerda, durante um encontro. Em outro registro também compartilhado, pessoas ao lado da gestora surgem exibindo dinheiro. As imagens, cujo contexto oficial não foi detalhado até o momento, passaram a ser interpretadas por parte do público como símbolo de humilhação e de excesso de personalismo na relação entre agentes públicos e autoridade política.

A discussão não se restringe ao episódio em si, mas ao que ele representa. Especialistas em administração pública defendem que a gestão deve seguir princípios de impessoalidade, moralidade e respeito institucional. Cenas de exaltação pessoal, sobretudo quando envolvem pessoas ligadas à estrutura do poder municipal, reforçam críticas sobre possível cultura de subordinação política, enfraquecimento da postura profissional no serviço público e confusão entre função administrativa e devoção à autoridade.
Ainda que imagens isoladas não constituam prova de irregularidade, a repercussão simbólica é profunda. Para muitos moradores, a cena é vista como triste para a cidade e constrangedora para quem ocupa função pública, por expor servidores em situação interpretada como humilhante. O episódio reacende o debate sobre dignidade no serviço público, limites éticos na relação entre autoridades e subordinados e a necessidade de que a máquina pública esteja voltada ao interesse coletivo, e não à exaltação pessoal de figuras de poder.
