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Taxistas de São Luís à beira da extinção

Devido à disputa com app’s, taxistas não conseguem lucrar, abandonam a profissão e transferem a permissão por preços baixos

O taxista Paulo Sobrinho diz que a chegada dos aplicativos caiu o número de passageiros (Foto: Paulo Soares)

A concessão (placa) de táxi de uma pessoa para a outra, que antes era comercializada por cerca de R$ 30 mil, atualmente é negociada por no máximo R$ 10 mil, uma redução de mais de 50%. A defasagem no preço da permissão é um reflexo da falta de adeptos à profissão taxista, que atualmente encontra dificuldades para se manter no mercado. Os motoristas de táxi justificam que, devido à concorrência com aplicativos particulares, a procura pelos serviços oferecidos por eles é escassa e está difícil continuar na atividade.

De acordo com o Sindicato dos Taxistas de São Luís, até outubro deste ano 2.300 mil taxistas têm licença para circular na capital maranhense. Segundo o presidente da entidade, Renato Medeiros, se tornou comum taxista desistir da profissão e transferir a permissão para algum interessado por baixo preço. “Por causa da concorrência injusta com os motoristas de aplicativos particulares, os taxistas não conseguem lucrar e preferem sair do ramo. Com isso, eles transferem a permissão, que antes custava cerca de R$ 30 mil e hoje gira em torno de R$ 10 mil”, contou Medeiros.

Ainda segundo o presidente da entidade, os taxistas estão se adequando as inovações tecnológicas. “Nós estamos nos adequando a tecnologia. Exemplo disso foi a criação do aplicativo “Táxi Legal”. Não somos contra a nenhum aplicativo. A nossa reivindicação é que os motoristas de aplicativos particulares também paguem os mesmos impostos que pagamos, que não são baratos. Eles oferecem um serviço mais em conta, porque são isentos desses impostos”, ressaltou. O App “Táxi Legal” pode ser instalado no celular através do Play Store.

De acordo com o gerente operacional do App “Táxi Legal” em São Luís, a ferramenta proporciona segurança para os passageiros, é mais barata que os outros aplicativos, mas precisa ser mais divulgada. “O aplicativo “Táxi Legal” opera na capital e já possui cerca de 1.000 usuários, desde o seu lançamento, dia 30 de setembro deste ano. A corrida por meio do nosso aplicativo é mais em conta do que os outros. Além disso, oferecemos segurança, porque todos os taxistas são devidamente capacitados e cadastrados para tal função. A plataforma precisa ser mais divulgada, mas no momento o sindicato não tem condições de arcar com os custos de propaganda”, disse.

Taxista há 45 anos, Paulo Sobrinho, de 63, explica as dificuldades que enfrenta diariamente. “Depois que chegou os aplicativos, caiu muito o número de passageiros. Antes eu conseguia faturar por dia R$ 180, mas agora consigo entre R$ 50 e 70. Está muito difícil pra toda a categoria garantir o sustento”, relatou.

O taxista Eduardo José Bittencourt, de 58 anos, explica que taxista é profissão e não um trabalho para complementar renda. Somos treinados para trabalhar. Sustentamos nossa família com esse dinheiro. Não estamos trabalhando por um capital extra. A concorrência com os aplicativos é desleal, porque eles não contribuem com altos impostos, como pagamos”, disse Eduardo, que já é motorista de táxi há 26 anos.

Frase

“Não somos contra a nenhum aplicativo. A nossa reivindicação é que os motoristas de aplicativos particulares também paguem os mesmos impostos que pagamos, que não são baratos. Eles oferecem um serviço mais em conta, porque são isentos desses impostos”

Renato Medeiros

Presidente do Sindicato dos Taxistas de São Luís

Com informações de O Estado

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